A distancia faz pensar muito sobre a nossa casa. E quando eu digo "a nossa casa" nao falo da casa, do apartamento em si. A minha casa é o meu pais, a minha cidade, o meu bairro... Ha vezes que a necessidade de estar em casa se compara a necessidade de respirar, de se alimentar.
E nao vou dizer que todos que escolhem estar longe de casa passam por isso e, claro, nao é um sentimento que me atinge todos os dias. Digamos, em 6 meses eu senti isso umas cinco vezes? três?
Fato é que estar longe e sem previsao de volta muda o olhar, o sentimento, aguça a saudade, da medo da mudança ser tao profunda a ponto de quando voltar nao se reconhecer mais naquele lugar que se esta acostumado a chamar de "casa".
Estar longe faz gostar mais da familia, dos amigos. Faz lembrar com um saudosismo absurdo aquele dia que resolvi sair de casa, enfrentar o mundo e sentir aquele gostinho de liberdade (uma liberdade que me mostrou o quanto é necessario ser responsavel e saber cuidar da propria vida). Faz dar tudo para comer aquele feijaozinho da mamae ou acordar cedo e tomar café com o popozao. Faz a Lapa ser impossivel de ser comparada a qualquer outro lugar no mundo e a Tijuca o bairro mais tranquilo para se viver.
A verdade é que, além da saudade imensa, estar longe traz um crescimento que nao se compra na esquina e que nao se aprende em 3 meses. Estar longe da vontade louca de voltar de repente mas, quando pensada a longo prazo, a volta so agrada quando vem junto com a tal conquista do proprio espaço.
Talvez, estar longe traz um crescimento e uma mudança tao grande que a felicidade de estar longe do que eu era é a mesma de estar perto de onde eu sempre estive.
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